Infeção Urinária

Infeção Urinária

  • O QUE É UMA INFECÇÃO URINÁRIA?

A infeção das vias urinárias é uma das doenças, provocada por bactérias, mais frequentes na população em geral. Foi ao longo dos tempos causa de grande sofrimento e morbilidade até ao aparecimento dos antibióticos em meados do século passado.

Afeta principalmente a bexiga (infeção urinária baixa ou cistite), mas também pode infetar o rim (infeção urinária alta ou pielonefrite), ou, no homem, a próstata (prostatite).

Nas crianças até ao ano de idade incide por igual em ambos os sexos. Depois desta idade pode dizer-se que é uma doença predominantemente feminina. Fatores anatómicos, especialmente a distância entre a uretra e o ânus são considerados a razão principal deste facto.

No homem após os 50 anos de idade, o normal aumento do volume da próstata, ao dificultar o esvaziamento total da bexiga, predispõe à infeção e a frequência aproxima-se da mulher.

Cerca de 70% das mulheres tiveram, pelo menos um episódio de infeção urinária durante a sua vida, sendo que cerca de 20% têm mais do que um episódio por ano. Na maior parte dos casos são infeções da bexiga.

QUAIS AS CAUSAS PRINCIPAIS?

Em termos gerais, qualquer situação que aumente a probabilidade das bactérias entrarem na bexiga e aí se manterem, aumenta o risco de infeção urinária. Contundo, a introdução de bactérias na bexiga não leva inevitavelmente à infeção. O organismo humano possui mecanismos de defesa eficazes, sendo o mais importante e a primeira barreira de defesa a livre progressão de urina desde o rim até à bexiga e, ao urinar, o esvaziamento completo desta eliminando assim as bactérias. Numa 2ª barreira de defesa temos os glóbulos brancos e os anticorpos do organismo.

Na quase totalidade dos casos as bactérias que provocam infeção urinária (IU) fazem o seguinte percurso: Intestino grosso (cólon), zona anal/vaginal, uretra, bexiga e eventualmente para a próstata ou o rim.

Existem fatores no ser humano que tendem a facilitar a ocorrência de infeção urinária. São os chamados fatores de risco que na mulher são principalmente:

  • Hereditariedade, isto é, mãe com história de IU
  • Vida sexual ativa
  • Uso de espermicidas
  • Presença de uma gravidez
  • Diabetes
  • Cálculos urinários (“pedras no rim”)
  • Algaliação
  • Incontinência e “bexiga descaída”

No homem são principalmente:

  • Aumento do volume da próstata
  • Cálculos urinários
  • Algaliação

A esmagadora maioria das infeções urinárias é causada pela bactéria Escherichia coli, vulgarmente chamado “colibacilo”. É uma bactéria abundante no intestino grosso, e algumas das estirpes com grande propensão para aderirem às paredes do aparelho urinário (fatores de agressividade/virulência).

QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

Infeção da bexiga (cistite) – são geralmente de aparecimento súbito e sem febre, com queixas de ardor ao urinar, aumento da frequência e urgência, acompanhados de desconforto, ou dor na zona da bexiga, podendo haver ou não sangue na urina.

Infeção do rim (pielonefrite) – aparecimento súbito com febre ligeira ou alta, com arrepios, náuseas e vómitos, acompanhada ou não de dor lombar. Podem estar presentes queixas de cistite. É uma situação grave que merece sempre atenção médica com eventual internamento hospitalar.

Infeção da próstata (prostatite aguda bacteriana) – subitamente há ardor ao urinar, aumento da frequência e dor na região perianal. A febre e os arrepios estão geralmente presentes, associados a dificuldade em urinar. Por vezes aparece com uma intensidade mais ligeira com frequentes episódios de infeção da bexiga. Deve ser observado pelo urologista.

Infeção assintomática (isto é, sem queixas e sinais que chamem a atenção para o aparelho urinário) – devem ser despistadas laboratorialmente com análise microbiológica da urina nas seguintes situações:

  • Gravidez
  • Doente que vai ser sujeito a cirurgia urológica
  • Doente com glóbulos brancos baixos
  • Doente idoso, diabético, sem queixas urinárias, mas com a diabetes descompensada e/ou alterações de comportamento 

Na mulher jovem, que se apresenta apenas com queixas de ardor ao urinar, pode estar presente uma doença do foro ginecológico, como a infeção do colo do útero ou infeção vaginal. Daí que a avaliação médica e laboratorial seja fundamental para um correto diagnóstico e um tratamento adequado e eficaz.

QUE TRATAMENTOS EXISTEM?

O tratamento tem dois objetivos principais, o alívio das dores (com analgésicos) e a erradicação do microorganismo (com antibiótico).

A escolha do antibiótico deve obedecer a vários critérios: o tipo de infeção, a sua localização, a idade e o género do doente, outras doenças que já existam, medicamentos que o doente esteja a tomar e, a identidade da bactéria e o estudo da sua sensibilidade a antibióticos adequados.

Este último aspeto apenas é possível com uma análise laboratorial, designada por urina asséptica.